Resumo
Objetivo: O presente estudo propõe-se a analisar as práticas de Environmental, Social and Governance (ESG) adotadas por corporações inseridas em setores de elevado risco, com foco na trajetória da Vale S.A., após os desastres ocorridos em Mariana e Brumadinho, no Brasil.
Metodologia: A investigação adota uma abordagem qualitativa, ancorada no método de estudo de caso único. Realizou-se análise documental de relatórios de sustentabilidade, declarações institucionais e dados secundários, com o intuito de identificar eventuais dissonâncias entre o discurso corporativo voltado ao ESG e as práticas efetivamente implementadas.
Resultados: Os resultados evidenciam uma dissociação entre os compromissos ambientais, sociais e de governança veiculados publicamente e a realidade operacional da empresa. Apesar do aprimoramento dos mecanismos de divulgação e transparência, tais ações mostraram-se insuficientes para prevenir novas crises reputacionais e danos socioambientais recorrentes. Os achados indicam a ocorrência de uma conformidade simbólica, em que o discurso de governança não se converte em práticas organizacionais concretas.
Implicações Práticas: O estudo destaca a urgência de aprimorar os mecanismos de fiscalização e responsabilização em torno das práticas ESG, especialmente em setores marcados por elevada exposição a riscos socioambientais.
Originalidade/Relevância: Ao abordar um caso emblemático da indústria extrativa brasileira, o artigo contribui para o debate sobre sustentabilidade institucional, governança ética e os limites da adesão meramente formal a estruturas ESG.
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